Olhar para as pernas no final do dia e notar veias dilatadas pode trazer uma preocupação que vai muito além da estética: a trombose. Nos consultórios de cirurgia vascular, esse é um dos maiores medos relatados pelos pacientes. E a preocupação faz sentido, afinal, trata-se de uma complicação séria.
Mas será que toda pessoa que tem varizes vai desenvolver a condição? Qual é a verdadeira relação entre varizes e trombose venosa?
Entender essa conexão de forma clara e sem alarmismo é o primeiro passo para proteger a saúde e garantir mais qualidade de vida. Abaixo, entenda o que acontece nas veias e como é possível se prevenir.
Entendendo a relação entre varizes e trombose venosa
Para compreender por que varizes e trombose estão ligadas, é preciso olhar para o funcionamento do fluxo sanguíneo. As varizes são veias doentes que se dilataram e perderam a capacidade de bombear o sangue de volta para o coração de maneira eficiente. Em vez de fluir continuamente, o sangue acaba ficando “parado” ou circulando de forma muito lenta nessas regiões. Na medicina, esse fenômeno é conhecido como estase venosa.
O sangue precisa estar em constante movimento para se manter fluido. Quando fica represado dentro de uma veia dilatada, a tendência de os elementos sanguíneos se agruparem e formarem um coágulo aumenta significativamente. Se esse coágulo (trombo) se forma e obstrui a veia, ocorre o quadro de trombose.
Portanto, a relação é direta: a presença de varizes cria um ambiente propício para o surgimento de coágulos.
Quando o risco de trombose realmente aumenta?
Embora ter varizes seja um fator de risco conhecido, o nível de perigo não é igual para todos. O risco de a situação evoluir para uma trombose aumenta consideravelmente quando outros fatores cotidianos ou de saúde são somados ao quadro. Os principais gatilhos incluem:
Longos períodos de imobilidade: Viagens de avião ou carro com mais de quatro horas de duração, ou o repouso prolongado na cama após cirurgias e internações.
Avanço do calibre das varizes: Quanto mais grossas, tortuosas e antigas forem as varizes, maior é o volume de sangue acumulado e, consequentemente, maior o risco de coagulação.
Idade e genética: O risco aumenta naturalmente com o passar dos anos e em pessoas que possuem histórico familiar de problemas de coagulação ou trombofilia.
Uso de hormônios associado ao tabagismo: O uso de anticoncepcionais orais ou terapia de reposição hormonal, quando combinado com o cigarro e a presença de varizes, multiplica as chances de eventos vasculares.
Desidratação de forma intensa: A falta de ingestão adequada de água deixa o sangue mais denso, facilitando a formação de trombos.
Sinais de alerta: como saber se a varize virou uma trombose?
Muitas vezes, a trombose começa de forma silenciosa, mas na maioria dos casos o corpo emite sinais claros de que algo está errado. É fundamental buscar atendimento médico imediatamente ao perceber sintomas como:
Inchaço repentino: Geralmente acontece em apenas uma das pernas, tornando-a visivelmente maior que a outra.
Dor forte na panturrilha: Uma dor persistente, semelhante a uma cãibra forte, que piora ao caminhar ou ao flexionar o pé para cima.
Vermelhidão e calor na pele: A região afetada fica quente ao toque e apresenta uma coloração avermelhada ou arroxeada.
Veia endurecida: O surgimento de um “cordão” duro e dolorido no trajeto de uma varize antiga pode indicar uma tromboflebite (trombose em veias superficiais).
Prevenção: o tratamento das varizes é o melhor caminho
A boa notícia é que a trombose decorrente de varizes é uma complicação altamente evitável. Não é necessário esperar os sintomas graves aparecerem para iniciar o cuidado com a circulação.
O caminho mais seguro é eliminar a raiz do problema através do tratamento das veias doentes. Atualmente, a medicina conta com tecnologias modernas e minimamente invasivas, como o Laser Endovenoso e a Escleroterapia com Espuma. Esses procedimentos costumam dispensar longos períodos de internação, permitindo que o paciente cuide da saúde com o mínimo de interrupção na rotina.
Para que a prevenção seja eficaz, uma avaliação clínica detalhada combinada ao exame de Doppler Vascular é fundamental. Esse mapeamento identifica o estado real das veias e detecta precocemente qualquer sinal de alteração no fluxo sanguíneo, permitindo que um plano preventivo seja traçado sob medida.
Veredito final: o equilíbrio entre o cuidado e a segurança
Cuidar das varizes vai muito além da questão estética. Trata-se de um ato de proteção com a vida, com o bem-estar e com a mobilidade futura. Garantir que o sistema vascular esteja saudável traz a tranquilidade necessária para realizar as atividades do dia a dia sem medo de complicações.
A prevenção continua sendo a melhor escolha. O momento de proteger a circulação e evitar riscos desnecessários é agora.
Quer garantir a saúde das pernas e afastar o risco de complicações? O primeiro passo ideal é consultar um cirurgião vascular de confiança para realizar uma avaliação completa e entender as melhores opções de tratamento para o caso.

